Bastidores do iPad: como nasceu Karen, a Velha Tartaruga do Pedro

É sempre uma alegria descobrir aplicativo bom feito no Brasil. A gente ainda tem muito poucos apps de qualidade por aqui, principalmente para crianças. Então, fui na cara dura conversar com a Filomena, autora do Karen, a Velha Tartaruga do Pedro, para saber como foi a aventura de imaginar, realizar e colocar na App Store brasileira esse livro tão bonito, divertido e bem produzido.

A Filomena, que na verdade é o pseudônimo da Isabel Malzoni, foi mega-simpática e deu uma entrevista para o ipadfamilia! Confira o que ela falou sobre o livro e o processo de criar para o iPad. Depois, divirta-se com o app. A gente se divertiu 😉

capa

ipadfamilia: Como surgiu a idéia de fazer um livro infantil interativo? A história já existia no papel ou só na cabeça?

Filomena: A história surgiu de um outro conto que tinha escrito há uns 3 anos, para adultos mesmo. Nele a tartaruga era bem mais questionadora, digamos assim, sobre o tempo e a nossa relação com ele. Mas eu achava que podia transformar a Karen e o Pedro em personagens de uma história infantil e foi o que eu fiz. Quando a Tartaruga Feliz começou a desenhar, com base no roteiro que eu tinha previsto, vimos que precisávamos suavizar o final e foi assim que chegamos à duas últimas páginas. Eu acho realmente que ficou melhor assim.

Karenipadfamilia: Como foi a experiência de escrever e editar para o iPad: vocês conheciam profissionais de tecnologia, animação, som etc?

Filomena: Foi uma feliz coincidência. Eu queria escrever para crianças e editar literatura infantil também, o que eu nunca tinha feito. A Renata Buono, da Buono Disegno, é minha amiga. E não é porque ela é minha amiga não, mas ela manja muito de iPad, faz revistas, apps, cardápios, sem falar que tem um senso estético maravilhoso. Enfim, ela queria experimentar fazer livros digitais animados. Resolvemos embarcar nessa juntas, como um projeto completamente independente e paralelo. Demorou bastante por causa disso, e também pela nossa inexperiência. Aprendemos muito. A Re chamou a Isabela Berger pro projeto, que fez toda a pesquisa de como faríamos o livro ser financeiramente viável e ainda as animações. Alinhamos que o nosso diferencial seria a criatividade, a vontade de fazer uma coisa realmente estimulante para as crianças, não os recursos de tecnologia. Além disso, optamos por fazer o primeiro livro com uma história minha porque facilitaria o projeto em termos de direitos autorais e autorizações. Mas o nosso projeto é mais abrangente.

ipadfamilia: O que veio primeiro: texto ou ilustração? Como foi trabalhar com a Tartaruga Feliz?

Filomena: Eu vi o trabalho da Tartaruga Feliz pela primeira vez na internet. E foi um encontro incrível porque o traço dela é exatamente o que eu tinha imaginado pro livro. Não, na verdade, melhor. Eu disse isso pra ela no primeiro e-mail que trocamos. Ela é uma ilustradora e tanto.

bolo

ipadfamilia: Quem fez a trilha e efeitos sonoros? Como foi criar a voz da Karen? Quem fez?

Filomena: A trilha sonora e a sonoplastia são do Davide de Merra, que é músico, além de Sound Designer. Foi muita sorte ter encontrado ele. Se tem uma coisa que era muito difícil pra mim nesse projeto era imaginar, que dirá fazer um briefing, da música. Então eu dizia pra ele: Davide, tem que ser meio assim, sabe? E ele sabia. Foi o Davide que me apresentou a Lika, que também é DJ e arrasou como narradora. Quando escutei ela falando “Duvida?” com a voz da Karen, eu comecei a achar que ia dar tudo certo com esse livro!Davide

ipadfamilia: A história é focada em alguma faixa etária específica?

Filomena: A gente pensou em uma faixa etária de 4 a 8 anos. Por isso a narração, já que é também para um público pré-leitor.

ipadfamilia: Existia algum conceito editorial ou objetivo de passar alguma espécie de mensagem com a história?

Filomena: Partimos de alguns princípios para fazer esse livro. O primeiro é não pasteurizar o mundo para a criança. Na história cabe a tartaruga ser meio ranzinza e até metida, apesar de mais velha, e o menino ser capaz de maldadezinhas, essas coisas. Sem deixar de serem fofos, os personagens são reais nesse sentido. Nada de querer dar lição de moral, sabe? Outro ponto que era bem importante para nós é que o app fosse realmente um livro. Ele tem um pouco de animação, de interatividade, mas não deixa de ser um livro. Ou seja, de estimular a criatividade, a concentração, a imaginação… Não tem mil luzes e efeitos para prender a criança. Confiamos na história e nas ilustrações para isso.

ipadfamilia: Qual foi a parte mais difícil durante o processo de criar, produzir e publicar o livro? E a mais bacana?

Filomena: O processo todo é muito legal. Todo mundo que participou se envolveu bastante. Eu e a Isa então, que participamos dele do começo ao fim, já não agüentávamos mais de ansiedade esperando o livro aparecer na AppStore! A parte mais difícil é que o fato de que é tudo muito novo. Não há respostas certas para as dúvidas importantes, como, por exemplo, será esta a melhor plataforma? Nossa, a lista é longa e ainda temos muito a aprender.

karen e pedro

ipadfamilia: Como está sendo a experiência de vender pela App Store – foi tranquilo aprovar e subir o app?

Filomena: Sim, é tudo muito tranqüilo. Subimos o livro no Google Play e na App Store. A diferença é que na App Store eles demoram umas duas semanas para fazer a primeira aprovação e depois uns dez dias para cada revisão.

ipadfamilia: O que você gostaria de que as crianças que lesse o app sentissem ou pensassem?

Filomena: Eu pessoalmente gostaria que elas achassem o livro divertido, que se encantassem com os personagens. É esse o nosso propósito.

ipadfamilia: Novos projetos? Novas idéias?

Filomena: Sim, muitos! Estamos avaliando a possibilidade de fazer outros livros para iPad, não só com a Karen e o Pedro, mas outras histórias.

 

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Aqui vai um presentinho da Filomena e da Tartaruga Feliz: ilustração do livro para imprimir e colorir 😉

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