Frankie for Kids: Halloween em (muito) bom Português

Frankie for Kids: Halloween em (muito) bom Português

O difícil de falar sobre aplicativos bacanas é que sempre esbarramos na questão da língua. A maioria das indicações acaba sendo de livros ou jogos em Inglês. Simplesmente porque o Brasil ainda não entrou direito nessa história de produção de conteúdo para crianças. Quer dizer: há algumas coisas em Português, mas nem tudo passa pelo crivo de uma mãe semi-geek…

Por isso foi uma agradável surpresa encontrar o Frankie for Kids. Não se engane: apesar do tema e do título gringos, essa é uma produção brasileira, feita por um casal muito simpático que concordou em contar pra gente um pouco sobre a aventura de criar um livro-aplicativo do zero por aqui.

Update: acabou de sair a lista de livros digitais finalistas para a Feira de Livros de Bologna 2013 – a mais importante do mundo em Literatura Infantil – e Frankie for Kids é o único brasileiro a figurar entre essa turma muito selecionada, ao lado da Nosy Crow, Disney, Nickelodeon… Saiba mais aqui. Orgulho do Brasil 😉

A Samira, com formação em jornalismo, estudou várias versões do clássico de Mary Shelley até decidir como seria o reconto de sua autoria. A escolha foi por uma narrativa que valoriza a história e a torna interessante para um público a partir de 9 anos. O que mais curti foi que todo o pensamento do aplicativo foi criado pensando sempre em valorizar o texto. Não há pirotecnias que interrompem a leitura. Tudo é sutil, e sempre atrelado ao que está sendo narrado em cada tela. Acho muito importante esse cuidado para esse tipo de livro e essa faixa etária. Foco na leitura, usando recursos tecnológicos para enriquece-la. O trabalho dela com o marido, o ilustrador e diretor de arte Fernando Tangi, é uma ótima ferramenta para falar com as crianças sobre questões difíceis e importantes: aparências, medo, amizades e a dificuldade em ser aceito.

O aplicativo é o primeiro bilíngue brasileiro. Dica para quem tem crianças fazendo inglês ou em escolas bilíngues: é bacana mudar de Português para Inglês, como forma de aprendizado. É possível achar o app para iPad – mas o casal foi corajoso e se aventurou pelos sistemas Android e até Blackberry. Por terem feito todo o processo, eles têm muito o que contar sobre como um livro ganha vida no digital (uma espécie de Frankenstein sobre Frankenstein). Confira a entrevista, dê uma olhadinha nas nossas dicas de apps para o Halloween (clique aqui) e divirta-se!

iPad Familia: Qual foi a melhor e a pior parte de criar o app?

Y+B: A melhor, sem dúvida, é o trabalho em si. Nós sempre trabalhamos na área de mídia, sou jornalista e o Tangi ilustrador e diretor de arte, inclusive de livros, mas nunca tínhamos nos divertido tanto fazendo algo. A pior? Puxa, acho que ainda estamos muito apaixonados por isso… nada pode ser chamado de “pior” ainda.

Ilustrando

iPad Familia: O que vocês esperam que seja a experiência dos seus leitores digitais?

Y+B: Nossa cultura não valoriza mais a introspecção necessária à leitura e isso, aos poucos, tem nos tornado leitores menos assiduos. Por outro lado, os clássicos da literatura guardam a história cultural da humanidade e são muito úteis não apenas como diversão, mas também como fonte de reflexão e discussão. O que esperamos é que essa midia nova, que está entre a informação e a diversão, seja de fato uma plataforma de disseminação de obras com qualidade. Já recebemos relatos de crianças que retornam ao livro, depois de lida a história, apenas por diversão. Outro relato interessante foi de um menino de 9 anos que primeiro viu apenas as imagens e interatividades; quando leu a história disse que o Frankie tinha cara de bonzinho, nem parecia tão mau. Nós queremos usar essa tecnologia para deixar o conteúdo lúdico, mas sem perder profundidade, sem distrair da leitura. Através da leitura, pretendemos despertar reflexões que estão nas sutilezas da literatura.

iPad Familia: Como foi o processo de criação: primeiro veio texto e depois imagens, vieram juntos, quem fez o quê?

Y+B: Quando definimos a história, passei à leitura do clássico em diversas versões (do original em inglês à versões pocket e em formato de quadrinhos em português). Enquanto fazia a adaptação que publicamos já preparava anotações de interatividade de página à página. Terminado esse processo, eu e o Fernando Tangi discutimos cada caso e como seria interessante preparar as ilustrações, animações e interatividades. Em seguida, uma reunião com o programador que é nosso parceiro deixou claro o que era possível ou não de ser feito e já pensamos juntos todas as adaptações necessárias, além de novas ideias, e montamos um storyboard com cada indicação. Feito isso, transformar o que era rascunho em ilustrações de fato tomou um bom tempo – primeiro porque o Tangi buscava um estilo bem específico e depois porque para garantir a interatividade, as ilustrações precisam estar organizadas dentro da lógica da programação. Enquanto isso o texto seguia para tradução e revisões e nós preparamos os sons. Tudo pronto, passamos para a aventura de programar cada detalhe e ver os personagens ganhar vida, o que é muito divertido!

Roteiro, rabiscos: a criação

iPad Familia: E a produção: foi difícil decidir formatos, tecnologias, plataformas… como é esse processo no Brasil? 

Y+B: O mercado brasileiro ainda não está maduro, então há muitos boatos que geram dúvidas sem fim, rs… O que fizemos foi abraçar nossa ideia e colocá-la em prática, sem dar muito eco ao que se diz por aí. Há um grande benefício em não haver um modelo sedimentado: pudemos soltar a criatividade e criar nosso próprio caminho! Isso se tornou nossa especialidade, aquilo que nos diferencia como processo, como custo e como resultado.

iPad Familia: Por que um app bilíngue?

Y+B: Nosso Frankie for Kids nasceu mais da necessidade de se conhecer e provar o negócio da publicação de apps interativos do que de um desejo de se autopublicar. Então nos interessava conhecer cada processo e também o máximo possível de mercados. Quando você publica uma obra também em inglês, ela alcança um público muito maior – não apenas nos países falantes do inglês, mas em qualquer lugar em que alguém esteja estudando a língua ou usando-a para o trabalho . E realmente é muito interessante observarmos os dados de vendas que as stores exibem: com números substanciais nos Estados Unidos e Reino Unido, além de França, Japão, Taiwan e Índia e, claro, do próprio Brasil.

iPad Familia: Brasileiro paga para baixar app?

Y+B: Paga sim. O que ocorre é que o comprador online, que talvez fosse visto como um consumista que não pensa muito, é bastante crítico. Ele não aceitará pagar muito por um produto que não ofereça diferenciais interessantes.

iPad Familia: Vocês esperam ter retorno financeiro ou é um trabalho de exposição e divulgação do studio?

Y+B: Brincamos com alguns amigos que tínhamos três metas como empresa. A primeira era desenvolver tão bem um modelo que ele pudesse interessar às editoras. A segunda era nos tornarmos lembrados por esse modelo, oferecermos cursos, palestras e oficinas em universidades. A terceira era vender o suficiente para, a partir disso, só publicar livros por diversão. As duas primeiras metas já foram alcançadas… a terceira ainda não, mas ainda é cedo também, rs…

frankenstein

 

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5 Comments

  1. ipadfamilia » Um susto no iPad: apps de Halloween
    22/10/2015

    […] Leia mais: Frankie for Kids, nosso livro favorito para o Dia das Bruxas […]

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  2. ipadfamilia » Apps para brincar no Halloween
    17/11/2014

    […] Esse é para os mais velhos. É um livro-aplicativo para ler e interagir com o clássico de Mary Shelley, em Português ou Inglês. O app, feito no Brasil, já é premiado já e tem sido adotado por várias escolas americanas. Aliás, Frankie completa 2 anos de idade esse mês. Leia o post que fizemos quando o livro foi lançado (aqui). […]

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  3. iPad Família » Halloween no iPad: apps quase assustadores
    30/10/2013

    […] Confira mais apps de Halloween aqui e aqui. […]

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  4. iPad Família » Contos de Fadas: a magia continua no iPad
    04/03/2013

    […] fogem do estilo Disney e são mais ou menos fiéis aos textos originais. Probleminha básico: como ainda estamos engatinhando em produção de apps no Brasil, infelizmente, os melhores recontos para iPad tendem a estar em Inglês. Meu desejo de ano novo: […]

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  5. Contos de Fadas: a magia continua no iPad « Ipad família
    27/11/2012

    […] fogem do estilo Disney e são mais ou menos fiéis aos textos originais. Probleminha básico: como ainda estamos engatinhando em produção de apps no Brasil, infelizmente, os melhores recontos para iPad tendem a estar em Inglês. Meu desejo de ano novo: […]

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