Muita #Tech e pouca #Ed: lições do Edu4.me 2015 SP

Posted on Mar 31, 2015 in Apps, EdTech | No Comments
Muita #Tech e pouca #Ed: lições do Edu4.me 2015 SP

Semana passada eu estive no Edu4.me, um evento internacional que fez sua primeira versão brasileira em São Paulo. A ideia é entender as tendências e mudanças no campo da Educação para orientar empreendedores a criar soluções tecnológicas que ajudem na revolução do segmento. Como o ipadfamilia está cada vez mais imerso no papo sobre inovação na Educação, fui lá conferir e minha conclusão é de que a conferência focou muito em startups e quase nada em Educação.

Edu4.me crachá ipadfamilia

Sim, eu sei que o evento da Telefônica, com parceiros como a Wayra Brasil, é focado nas startups educacionais. Afinal, esse segmento está bombando mundo afora, conforme se descobre uma mina de ouro em investimentos para o setor. Mas não dá para falar em tecnologia para a Educação sem primeiro entender a Educação. É preciso entender o que os Educadores querem e quais os problemas e oportunidades reais de cada escola ou universidade para desenvolver soluções possíveis de implementar. E sem Educadores no palco e na platéia, a impressão que me ficou foi a de vários grupos querendo ser os próximos a descobrir o aplicativo genial do momento para ganhar investimento e fama (pronto, falei).

edu4.me apoiadores

É claro que eu preciso dizer que alguns profissionais que foram debater a revolução educacional são incríveis e tinham muito o que compartilhar. O Professor Stavros Xanthopoylos, da FGV, teceu comentários bem pé-no-chão; Valmir Pereira, da Mind Lab, tem uma experiência riquíssima em uso de games para desenvolver habilidades sócio-emocionais; e a Flavia Goulart, da Fundação Lemann, dá um show de conhecimento e pertinência. O ponto negativo, portanto, ficou na curta duração dos painéis – não deu tempo de se aprofundarem nos temas e ficamos mais ouvindo sobre o que já é notícia conhecida nesse mercado: o foco saindo do professor como detentor de todo o conhecimento; novas ferramentas tecnológicas que promovem o engajamento em sala de aula; protagonismo e autoria dos alunos; professor como mediador; personalização da aprendizagem etc.

Edu4.me Painel 1

Mas, no meio disso, vem uma pergunta da platéia: “Se 80% dos professores não querem essa mudança, como fazer para quebrar esses 80% de resistência?”. Hein? Mas segue a resposta: “Tem que entrar na escola e sair fazendo, sem pedir permissão.” Hein? Essa é uma postura condescendente vinda de quem não percebeu que a tecnologia não é o foco. O foco é ajudar o Educador a usar novas ferramentas – digitais ou não – para fazer a mudança necessária para atender os alunos de hoje. E é por essas e outras que os professores têm tanta resistência na implantação dos sistemas milagrosos.

sala do futuro img edu4.me

Imagem Edu4.me

Primeiro: a escola precisa trocar ideias com quem está pensando a mudança da Educação, para entender como a sua filosofia de ensino pode conviver com mudanças. E essas mudanças têm que ser graduais, com espaço para testar e avaliar. Na hora de oferecer solução de EdTech, não se pode esquecer que tudo é novo e meio ameaçador nessa fase: não adianta vir com um sistema mirabolante, que não seja intuitivo e que dependa de TI e de WiFi, por exemplo – na primeira vez que o professor não conseguir operar a ferramenta ou tiver que interromper a aula porque o WiFi está ruim, acabou a experiência; vai ser difícil ele querer tentar de novo. Além disso, a gente sabe que a carga horário do Educador é absurdamente pesada. Tem que haver um valor pedagógico e um ganho visível para eles se queremos que eles arranjem um tempo para conhecer novas ferramentas.

Imagem: teacherswithapps.com

Imagem: teacherswithapps.com

Acredito muito na boa intenção do pessoal do Edu4.me. Mas ficou mais claro que falta uma ponte bem sólida entre esses empreendedores e as escolas. Tudo depende desse diálogo. A Educação quer e precisa mudar; mas não vai ser de um dia para o outro – e nem por imposição. Quem quiser fazer parte dessa história precisa se aprofundar mais na matéria.

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