O Brasil na mira de Frankfurt: digital deve transformar o leitor brasileiro.

O Brasil na mira de Frankfurt: digital deve transformar o leitor brasileiro.

Semana passada aconteceu em São Paulo a CONTEC 2012, uma realização da Frankfurt Academy e da LitCam. Dois dias intensos de palestrar e discussões sobre o que a gente mais gosta por aqui: conteúdo, crossmedia, livro infantil, alfabetização, tecnologia e educação. Foi bacana ver tanta gente aparecendo por lá e mostrando interesse no assunto. E a boa notícia é que a Feira de Livros de Frankfurt colocou o Brasil como alvo de seus interesses para 2013.

Jurgen Boos, Presidente da Feira de Livros de Frankfurt, abriu o evento dizendo que, nos últimos anos, não são só pessoas ligadas aos livros que vão ao evento – o maior do mundo. Cineastas, video-makers, profissionais dos games – muita gente tem ido até lá em busca de conteúdo. Aliás, essa é a palavra do momento. Olhar para o livro como fonte de conteúdo permite a criação de diversas novas formas de contar histórias. Para Boos, estamos na era do “conteúdo líquido”, em que ler e jogar estão intimamente ligados. Sua conclusão é a de que é imprescindível elevar os índices de alfabetização do Brasil para dar acesso a esse conteúdo.

A opinião é a mesma de Karin Plötz, da LitCam: “Não há livros sem leitores, e não há leitores sem alfabetização”. A citação já é corrente no meio define o que parece ser o objetivo da Feira de Frankfurt para 2013: incentivar a alfabetização no Brasil, um país com milhões de potenciais leitores. E isso não está mais separado da questão da tecnologia. Plötz diz que a alfabetização não é mais questão de ler e escrever – agora, ela engloba a capacidade de compreender conteúdos online, compartilhar e colaborar na rede. Para ela, os smartphones já são uma ferramenta de leitura e escrita. Nós temos 79 milhões de brasileiros com acesso a Internet (segundo dados apresentados na Conferência). Parece natural o pessoal de Frankfurt estar interessado em afabetizar o nosso país: com acesso a rede, livreiros tradicionais e digitais ganham um mercado impressionante no país.

Outra questão importante foi levantada por Philippa Donovan, da Smart Quill e da Egmont Press. A leitura passa a ser social. Ela afirmou que as editoras devem prestar atenção ao novo perfil do leitor – o Reader 2.0. Ele exige flexibilidade, possibilidade de conexão e compartilhamento, imediatismo e participação, além de conveniência, links e um conteúdo multilingual. Esse leitor vive na redes sociais, que usa para dar e receber dicas de leitura, fazer suas próprias críticas, discutir livros. Eles não são mais apenas leitores, mas, também, criadores de conteúdo: escrevem uns para os outros, criando uma comunidade leitora vibrante. Segundo Donovan, para sobreviver nessa realidade, é preciso entender as diferentes plataformas de publicação e interagir dentro delas, pensar nas opções do conteúdo antes de resolver editar um livro, saber quando estimular a participação do leitor e quando deixa-lo em paz com seu livro e ter a capacidade de responder muito rápido às questões que surgem nas mídias sociais.

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O pessoal da Literary Platform, representado por Joanna Ellis, fez uma apresentação brilhante (e curta… pena!) sobre a transformação dos papéis dos profissionais do mundo dos livros. Ela afirma que editores, agentes, distribuidores, marketeiros – todo mundo ainda é extremamente necessário, mas que seus papéis estão mudando e se mesclando. Nós ainda estamos no começo dessa nova realidade de leitura além do livro impresso e precisamos acompanhar as mudanças para participar desse mercado tão diferente e tão instigante. Quanto à chegada da Amazon ao Brasil, tanto Joanna quanto a agente Lucia Riff têm medo, principalmente no sentido de que a empresa pode tomar conta do mercado facilmente, mas, também, no ponto da privacidade e da censura. Foi citado o exemplo da Apple, que fez uma autora independente retirar toda e qualquer menção à sua concorrente (no caso, a Amazon) do seu livro, se quisesse te-lo publicado.

Jurgen Boos anunciou uma CONTEC 2013 bem maior e com muitos painéis de discussão sobre os temas novos que surgem a cada dia no meio dos livros e da alfabetização. Marifé Boix Garcia anunciou que teremos uma versão “mini” da Feira de Livros de Frankfurt em São Paulo, em junho do ano que vem, no Pavilhão da Bienal do Ibirapuera. A estrutura da feira mostra o caminho que o mundo dos livros está tomando: uma área será dedicada à Educação, incluindo uma sala de aula do futuro; outra, será destinada a tecnologia, com especial ênfase em leitura infantil digital. Tem alguma dúvida de que a gente está adorando?

CONTECT 2012. Outros palestrantes que vale conhecer:

Confira os melhores momentos da CONTEC 2012 no Twitter, pela #CONTEC12 ou no nosso perfil: @mini_ego.

 

1 Comment

  1. Ipad família
    17/09/2012

    […] already posted about Brazil being in focus at The Frankfurt Book Fair, mainly due to the web and digital “revolution” on the country. Editors are interested […]

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